Brasília se torna palco de uma significativa mobilização nesta terça-feira (25), com a Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver. O evento reúne mulheres de todo o Brasil e representantes de mais de 40 países. A marcha marca o décimo aniversário de uma histórica manifestação contra o racismo, que, há uma década, atraiu mais de 100 mil mulheres negras à capital federal.
Dona Maria dos Santos Soares, símbolo do feminismo negro e centenária, marcará presença na marcha. Ela considera o evento uma oportunidade crucial para protestar contra as persistentes injustiças que afetam a população negra. “A emoção agora foi muito mais forte, porque, além do Brasil, inúmeros países, principalmente aqui da América Latina, presentes aqui. Então, eu vejo que a nossa força está se expandindo por todo lado,” declarou. “Temos conseguido muito pouco, mas esse movimento me dá esperança que a gente vai conseguir mudar essa realidade cruel que atinge o povo negro.”
Engajada na militância desde a juventude, Dona Maria enfatiza a necessidade contínua de lutar por mais representatividade social e pelo acesso das mulheres negras a espaços de poder. “Eu sou muito audaciosa, e eu tenho um espírito político desde pequena. Eu não tinha essa consciência que tenho hoje, conhecimento, mas desde o interior que eu já via algo de errado em relação a negros e brancos. Não só no movimento negro, qualquer coisa que eu vejo que eu não concordo, eu não sei ficar passiva, eu vou falar, eu vou intervir.”
A programação do dia teve início às 9h, com uma sessão solene no Congresso Nacional. Às 10h, a marcha seguiu pela Esplanada dos Ministérios. Mais tarde, às 19h30, representantes da marcha serão recebidas em audiência pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin. A comitiva pretende apresentar ao STF a urgência de abordar a política de segurança pública no país, em particular após a recente chacina ocorrida na Penha, no Rio de Janeiro.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br